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António Matias, Vice-Presidente do Grupo Desportivo e Recreativo da Verderena no Dia Nacional das Coletividades | Barreiro 2026

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Unidos Pelo Associativismo: Mais Comunidade, Mais Futuro
 
Hoje estamos aa celebrar o Dia Nacional do Associativismo, mas também para devemos que reflectir sobre o seu papel, os seus desafios e o seu futuro. Celebramos o Movimento Associativo Popular — o nosso MAP — como uma das mais genuínas expressões da força do povo organizado, da capacidade de construir coletivamente respostas onde tantas vezes elas não chegam por outras vias.

O associativismo não é apenas um conjunto de instituições. É uma prática viva de cidadania. É um espaço onde se aprende a decidir em conjunto, a respeitar a diferença, a trabalhar para o bem comum. É, no fundo, uma escola de democracia que funciona todos os dias, nas sedes das coletividades, nos ensaios, nos treinos, nas assembleias, nos eventos que dão vida às nossas comunidades.

Este ano, esta reflexão ganha ainda mais significado ao assinalarmos os 50 anos da Constituição da República Portuguesa. Um marco fundamental da nossa democracia, que consagra o direito de associação e reconhece explicitamente o papel do associativismo na promoção da cultura, do recreio e do desporto. A Constituição aponta, de forma clara, para a responsabilidade do Estado em apoiar estas atividades, reconhecendo que são essenciais para a qualidade de vida das populações.

E sabemos bem porquê. Porque é através do movimento associativo que, em muitos territórios, se garante o acesso à cultura, ao desporto e ao convívio. São as associações que mantêm vivas as tradições, que dão oportunidades aos mais jovens, que combatem o isolamento e que criam sentido de pertença.

Mas se hoje celebramos, não podemos ignorar as dificuldades reais que o movimento associativo enfrenta.
Muitas coletividades vivem numa situação financeira frágil. Lutam diariamente para pagar despesas básicas, desde a eletricidade à manutenção dos espaços, e, em muitos casos, confrontam-se com rendas que simplesmente não conseguem suportar. E quando uma associação fecha portas, não é apenas um edifício que se perde — é um pedaço da comunidade que desaparece, é uma resposta social que deixa de existir, é um espaço de encontro que se extingue.

Estas dificuldades exigem uma resposta. Exigem políticas públicas mais consistentes, mais justas e mais próximas da realidade. Mas exigem também algo que está ao alcance de todos nós dentro do próprio movimento associativo: a capacidade de cooperar mais, de criar redes, de partilhar recursos e de trabalhar em conjunto.

Num tempo de escassez, a interajuda não é apenas desejável — é essencial.

Precisamos de reforçar uma cultura de colaboração entre associações. Se uma coletividade não tem sala para realizar um espetáculo ou uma assembleia, outra pode ter. Se falta uma aparelhagem de som para um evento, pode haver quem a disponibilize. Se há dificuldades em organizar uma atividade, podem juntar-se esforços, partilhar conhecimentos, dividir responsabilidades.

Este espírito de partilha permite não só ultrapassar limitações materiais, mas também fortalecer laços, criar sinergias e dar uma nova dimensão ao trabalho associativo. Quando as associações se unem, ganham escala, ganham força e aumentam o seu impacto junto da comunidade.

O Movimento Associativo Popular sempre se caracterizou por esta capacidade de resistência e de reinvenção. Mas hoje, mais do que nunca, é necessário transformar essa resistência em estratégia, essa vontade em organização, essa dedicação em ação conjunta.

Valorizar o associativismo não é apenas reconhecer o trabalho feito — é garantir condições para que ele continue. É apoiar financeiramente, sim, mas também criar condições para a cooperação, simplificar processos, facilitar o acesso a espaços e recursos.

E é também fundamental envolver as novas gerações, dar-lhes espaço, voz e responsabilidade, para que este movimento continue vivo, atual e capaz de responder aos desafios do presente e do futuro.

Hoje, ao celebrarmos o associativismo, afirmamos a sua importância, mas também assumimos um compromisso: o de não deixar que estas estruturas enfraqueçam, o de continuar a lutar por melhores condições, o de reforçar a união entre todos os que fazem parte deste movimento.
Porque o associativismo é, e continuará a ser, uma força do povo. Uma força que constrói cultura, que promove o desporto, que cria comunidade e que dá sentido à palavra participação.
​
Viva o Movimento Associativo Popular. Viva o associativismo. Viva todos aqueles que, com esforço, dedicação e espírito solidário, mantêm vivas as nossas associações.


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